Kahê em pessoa
Potências que existem em nós.
Textos
O que direi à noite, antes de voar?


O que direi à noite, antes de voar?
Deveria dizer o melhor de mim, mas não sou suficientemente arrojado.
Gostaria de ser o eclesiástico mais eficiente do meu tempo,
e expor claramente a ideia de me lançar no mercado;
dar a mais clara demonstração de princípios, sobretudo explicar
a minha decisão de tornar-me escritor.
Gostaria de atingir o mais alto padrão de conhecimento
e ser talvez a grande mensagem transmitida pelos espíritos,
Não serei
Eu nada fui
E nada sou.
Almejo as realizações mais nobres,
Tento a confirmação do idealismo sublime que aprendi, mas sou pobre.  
Sou oco, e ressinto de dedicação.
A ansiedade destrói as harmonias trabalhadas.
A ideia é não ser a nota discordante da orquestra, nem o arquiteto
das minhas aflições.    
Gostaria tocar o clarão que facilita a caminhada, mas já estou contente
de ser uma pedra bonita em minha guia.
Depois desta noite, a bolha anônima que ocupei, a deixarei em outras mãos.  
Darei um passo adiante.
Observarei o Mundo mais de perto.
Quero olhar para dentro de mim e gostar do que vejo.
O meu espírito tem um gosto carinhoso por cada coisa,
e contribuo para dar às outras vidas, novos sentidos.
A poesia será minha companheira de vida, mas estar junto dela,
implica ser delicado com o mundo, e estar entre as mais inteligentes criaturas.
Não tenho ilusão com a perfeição. A Perfeição é Deus.
Não quero lutar contra as ideias do cotidiano
E se perder as minhas lutas, serei o primeiro a abrir caminho ao vencedor.
A vida é dinâmica.
Laissez-nous vivre la vie!
A arte e a cultura são chaves para a compreensão do mundo.
Vivo a grande expectativa de encontrar quem me diga:
- Hei, não desista! ... Embora a queimadura fira e o medo morda,
o sol se põe sobre as casas e nas ruas ainda venta
e há labaredas na sua alma!
Há muita vida em meus sonhos.
Eu só não consigo entender a tristeza, quando (à noite) olho as estrelas.  
Em tudo que escrevo, coloco o meu existir e o vigor daquilo
que, fundamentalmente, reconheço como poesia.
Deixo aflorar a identidade e a linguagem de nossa raça
e dos nossos modos de vida.
Aposto na inventividade, porque é um jeito de valorizar, espiritualmente
aquilo que trato como ideal de leveza.
As palavras aplicadas às coisas é a maneira de poetizar
aquela determinada coisa. Explorar os devaneios livres.
Em meus versos, aplico os hábitos sociais extraídos
do fundo social da nossa língua, porque é a maneira mais legitima
de definir-me, poeta.
Ao tocar o ponto insondável de cada sentimento
que a Literatura absorve, sou obrigado a despir-me,
a mostrar-me inteiro, diante dos espelhos da minha alma.
Gosto de imaginar-me nu, em minha poesia, que é o espelho
com o qual transpareço.  
Tendo alma e espírito livres, luto para transformar as inquietudes
que vibram dentro de mim.
O papel social do livro do nosso tempo, desnuda o proibitivo
e acende utopias.
O livro dissolve ditaduras e cria asas para quem pretende viver
longe da amargura.
Escrever é nada explicar.
É tudo explicar.
É empreender edificações.
É demolir obstáculos.
Visito solidões intransponíveis, toco silêncios ensurdecedores,
proponho reencontros entre temas distintos
Ideias, reflexões e concepções sobre identidades e memórias.
Palavras são correntes, quando correm rentes às ideias,
e cuidam de não quebrar elos importantes.
Quando escrevi o livro, Amar o sofrê é o diabo...
sofri como um sofrê que manda suas penas ao diabo,
e vai empreender nas alturas.
Enfim, pude libertar correntes, pude juntar elos partidos retidos
ou submetidos às circunstanciais vontades do tempo.
Amar a zagaia é sofrer. Amar o sofrê é o diabo!

CK


Carlos Kahê
Enviado por Carlos Kahê em 24/01/2025
Alterado em 13/02/2025
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