Flores despertas
Um dia todas as luzes da esperança
foram apagadas
Livros foram queimados
bibliotecas foram fechadas
Calaram poetas e escritores,
Quebraram as lâmpadas de nossas mentes
Rasgaram, no âmago, as nossas dores
E o poeta maior lamentou
sobre os meus ombros:
“E agora, José?!... A festa acabou!
O medo nos dividiu e o bem,
do bem se afastou ...
O povo isolou-se em frente às tevês.
A ilusão gritava em cada intervalo
de novela: “E nós, aonde vamos? ”
Dádivas vestiram-se de dúvidas,
Esperanças travestiram-se
de incertezas,
Febres acalmaram temperaturas
E a ternura se calou fundo, sem beleza.
Cresceu diante dos nossos olhos
o quadro nu da utopia...
Despidos e tratados como pássaros cativos
o nosso pão-dormido mofou
sobre morangos.
As flores ressentidas secaram,
As nossas famílias choraram distantes
dos nossos ombros ...
Sem cores, sem bandeiras,
sem esperança...
Muitos de nós vivemos o resto
das nossas vidas, sem o perfume
das flores afetivas
E não por encanto,
O mato sombreou todos os canteiros.
Um dia, depois de muitos dias,
ouvimos a pancada sobre o mar
E o clarão da liberdade golpear
as pedras ...
Uma força desmedida
açulou o ímpeto da juventude.
A força maior soltou a voz
nas canções de rua.
Corações e mentes.
Mares e oceanos avançaram
batendo forte na cara da repressão.
O clarão da primavera nos despertou
de um sono deprimente.
CK
Carlos Kahê
Enviado por Carlos Kahê em 09/01/2025