O soprador de vulcões
O soprador de vulcões
Não tenho cara de patrão,
Nem charme de poeta.
Nao tenho nomes para limpar
Nem filhos para criar...
Tenho nada de extraordinário, mem sexo,
em gênero... só um crachá voluntário,
sem inspiração.
Os mais puros desejos, os escondo
em bandejas secretas.
Sei muito bem cozinhar e disciplinar destemperos, cisnes e sermões.
Hexa campeão mundial em espera,
Tornei-me pescador.
Se o peixe for nobre, arranco-lhe
os gânglios
sangrando... óvulos e guelras
os engancho no ponto mais alto
do mercado central.
Conto os segredos mais sagrados
às melhores pessoas da casa.
Disparo espingardas e atiradeiras
com as minhas pedras de sono.
As mais certeiras
ainda não foram disparadas
nessas revelações.
Preservo o silêncio das manobras.
Irrito-me facil, grito sem tempo
e sem hora,
digo palavrões fora do tom, pois
não aprendi a lapidar demoras.
Se o argumento for bom,
Não disparo.
Minhas atitudes são impulsivas
Minha escrita é compulsiva e mundana.
Odeio o bom mocismo dos covardes
sociais.
Acredito que seria mais coerente,
se nada escrevesse.
Celebro missas de corpo presente,
onde me permito incorporar alucinações.
Livroeiros não me recebem.
Não fui um big brother nem no inferno.
Pedem-me que volte noutro inverno.
Eu volto, porque tenho natureza
dos verões.
Mas, quando o meu lago estiver repleto
de pintados, venderei minha impaciência.
Irei morar em Bruxelas.
Serei um átomo moderno, metido em rimas complexas.
Com sensatez, não faremos poesia.
Amo a soberba mundana e, se pudesse tocar
o centro do universo, tocaria Tuba.
Odeio as cansativas bajulações.
Tentei ser aprendiz de feiticeiro,
mas sou torneiro mecânico,
às vezes, orquestrador de primatas.
Mero soprador de vulcões.
CK
Carlos Kahê
Enviado por Carlos Kahê em 09/01/2025