As linhas das mãos
Meu problema é o açúcar. O teu é a falta de dinheiro.
Tereza é orgulhosa, Lais é rancorosa... é uma pena a rua não ser minha, agora que o príncipe se tornou ladriheiro.
A ausência de caráter se revigora na podridão destes tempos sombrios, porque Melissa é sem noção, Nicole é insolente, Carolina foi pro samba ... Eis a pauta da reunião em nossa mente.
Tua voz que não reclama, corrói o meu ouvido e o lado sublime do meu destino perdeu sua melhor parte. Roubaste de mim o lago natural, e eu que sonhava com a menina de olhos tristes, fiquei cantando... mas é carnaval!
Engoli suas trapaças e imposições. Fui exposto,
fiquei sem desejo, vendi à firmeza e a fidelidade
Retornei à cidade e soube que no final de Flores para um grande amor, o Galante foi inocentado. Deu no Jornal que Dimitri foi o controlador. Catarina viajou o mundo inteiro montada em seu drone, quando se lembrou do marido, o enterro passou.
Em casa, os ácaros da poesia dominaram as paredes,
Os peixes circularam pelas salas, a cidade despediu o coveiro. A rua ficou morta de açúcar. A aorta ficou repleta de formigas...
Impossível conduzir o peso da tua ausência. Agora que voltaste, nada tenho, que possa lhe oferecer. Nem as linhas das mãos. Nada disso agora importa.
Maria que pensou em consertar Ferradas, morreu. Ferradas continua uma moça feia, completamente torta.
CK
Carlos Kahê
Enviado por Carlos Kahê em 09/01/2025