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Candeeiro de ilusões


Candeeiro de ilusões

É mais princípio filosófico que poético
entender que no meio do caminho haverá uma pedra.
No meu caminho, precisei desviar-me de   variados tipos e tamanhos de pedras.
Não sei se morri ou se continuo sonhando. Ainda estou aqui, pensando numa maneira elegante
de ganhar a vida.
Venderei meu Alcorão de ouro .
O pensamento renascentista afirma que
a vida não é fácil para quem vive de olhos fechados.
No meio do caminho, tentei dizer que eram cacos de vidro, que era a noite, que era a morte...
O Gaos gritou: olha a pedra!
Gil avisou, olha a faca!
Não era nem domingo.
Eu estava solitário naquele parque, sonhando
com Aspen,
mas arranquei as penas da diversão, e entrei por esse inferno de fuga,

a princípio, fugitivo, errante...
um pouco Moisés, um pouco Benhur, um pouco Abraão, muitas vezes, Xenofonte.
A vida não é fácil para o retirante.
Ora é o deserto ...
Ora, são os abutres.
A esperança tem dentes de aço!
Nas minhas noites de medo,
o deserto conversa com seus demônios.
No breu fecundo,
candeeiro nunca foi luz do amanhã.
Vi muitas armas no caminho.
O cego pergunta:
  para que servem as armas?!
Ainda não chegamos ao século
das luzes?
Na primeira manhã,  o sangue escorreu pelas veias do sol.
Cântaros foram quebrados
na boca da sêde.
Eu vi o ar entrar e sair sem água,
na boca da noite.
Soprei caminhos de vento
na boca dos córregos.
Minhas retinas fatigadas nunca haverão de esquecer.
Meu coração sumiu dentro da carne.
Os rios secaram em meu peito.
No estômago havia um tesouro, mas
no meu bornal nenhum naco de pão.
Havia riscos nas facas
e gravetos de peixes no pó
dos meus ossos. Ossos de seixos.
Aves sem céu...quando as aves
rondavam os meus ceus,
era carniça!
Em tardes chuvosas,
atravessei rios de aço;
brindei esperas com pedaços
de horizontes;
atravessei
montanhas sugadas pelas nuvens, e
rios de desertos com pedras
movediças, que me cumprimentavam.

No final da errância, cheguei à
uma cidade, onde  tornei-me
uma espécie de livro deixado de lado.
Drummond preveniu José.
A festa acabou, a luz apagou  ...
Todos sabemos aonde esse poema vai terminar.

CK





CK


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Carlos Kahê
Enviado por Carlos Kahê em 09/01/2025
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