Kahê em pessoa
Potências que existem em nós.
Textos
As tempestades pessoais

A tempestade vai passar
e as estradas serão liberadas.
Amanhã, seremos nós e mais dois camaradas
Três passarinhos salvos dos incêndios
e das nossas inquietações.
Como estarão os sentimentos
dos que se afogaram e continuam vivos?
Estaremos todos vivos até o próximo desastre?
Facilitaremos o abraço, a quem precisar de um abraço?
Seremos mais sensíveis e tolerantes com o estado
de cada estado?
Seremos generosos e benevolentes com outros estragos
e novas invasões?  
AQN Acho que não.
A realidade é a borracha implacável de que o tempo
não abre mão.
Estaremos vivos, mas esquecidos das aflições.
O ser humano não ri, desde o dilúvio.
A continuidade do riso seria a nossa maior atração.
Sem apertar parafusos, não rimos nem dividimos
o que ainda nos serve.
Ainda que estejamos na abundância, não dividimos abraços
nem os acenos breves.
E quanto a pescar nas tempestades?
Não damos o peixe sem pretender ensinar
o que não se deve.
Isso, desde o tempo que se seguiu a André, Pedro e João.
Desde o lago bíblico, Deus não aparece no irmão sofrido.
Mas vive em nós, apesar de não darmos ouvido,
E de afastar o desconhecido com a faca fria da distância.
Não há construção sem a nossa mão.
Não há instrução de solidariedade via indiferença.
Amor só se paga amando.
Amar não é sentimento que se paga com gratidão.


CK
Carlos Kahê
Enviado por Carlos Kahê em 07/01/2025
Alterado em 28/01/2025
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