Leoas de desertos
Pelo deserto africano dos meus
sonhos
passeia a leoa que se abandonou
pelo mundo, esquecida
dos filhos.
A vida é desse jeito...
desertos, desterros, passados ...
Mamãe plantou-se árvore
em pleno deserto
E se fez sombra magnânima
para retirantes.
E se fez usina para alimentar
com seios fartos, os homens sem lar:
os leões famintos, tigres magérrimos
os mais potentes elefantes...
Os homens devoraram-lhe os ossos moles.
Dos cactos espinhosos, eles fizeram sumo
de esquecimento,
e a inspiraram com mananciais de egoísmos ...
Estilhaços perdidos
em sombras de engrandecimentos.
Perdemos, o que Deus imaginou
lirismo.
Mamãe desapareceu na chuva
e não retornou nas noites de frio.
Não ouviu os nossos rugidos de fome
Ela caminhou vazia
sobre pedras de eternidades.
Em nossos sonhos tristes,
ela dorme quieta dentro de nós,
Lambe os nossos sonhos... Rosna! ...
E o seu rosnado ecoa do fundo negro das virgens montanhas africanas para dentro de mim.
O seu rosnado faz tremular bandeiras rasgadas
em nossos medos
E confusões nos labirintos
trêmulos de nossas ansiedades.
Se o sol negro prendesse mamãe
nas celas do sentimento.
Se a luz da escuridão a trouxesse
de dentro das sombras,
para dentro de nós
As tempestades ligariam raios
Em meu sorriso.
Mas o destino é o nosso algoz.
A natureza não distribui esses favos.
A vida não dá a mínima importância
pra nós.
CK
Carlos Kahê
Enviado por Carlos Kahê em 07/01/2025
Alterado em 08/01/2025