Budas e Elefantes
A máquina engoliu a poesia.
A poesia acendeu o cigarro
na língua do fogo.
As moças afundaram o sorriso
na água, Belchior cantou na primeira hora
É o novo É o novo É o novo É o novo!
Os budas atléticos correram
ao pico de Aconcágua.
tangeram os elefantes,
A manada branca de Manágua.
O alto falante indicou a porta de saída,
como a serventia mais elegante da casa.
Os animais monstruosos levaram às ruas
tudo que lhes parecia leve.
Papéis lápis, motivos, chapéus ...
bolsas, patuás e canivetes.
Tudo era viagem ...
Para o bem da imagem.
Flores para colorir o bosque.
Trópico do Capricórnio, linha
do Equador, Sul...
Amerindia!
Flores no chapéu.
O lago em meus olhos ficou azul.
Vitrines, revistas, expectativas,
me aguardavam.
Os olhares foram lacrados,
pelos amores de plástico
e os delírios suaves...
Na voz do locutor, o grande alarde:
É o novo É o novo É o novo...
Sem aflição.
Apenas controle a respiração...
O circo delirante chegou.
É o novo É o novo É o novo É o novo...
CK
Carlos Kahê
Enviado por Carlos Kahê em 07/01/2025
Alterado em 08/01/2025